Recomendações de 2017

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E mais um ano chega ao fim, o primeiro da vida desse humilde blog sobre ficção científica, entre as frustrações, alegrias e tristezas, alguns conteúdos lidos e assistidos dentro do gênero. Neste post apresento algumas recomendações – que também servem como retrospectiva do ano – daquilo de melhor tive contato com o gênero. A lista representa aquilo que tive contato ao longo do ano, e não necessariamente lançamentos de 2017. Representa também, obviamente, meu gosto pessoal e minha não tão boa memória.

Livros:

2017 foi, muito provavelmente, o ano em que mais li livros em minha vida. Não leio tão rápido e nem me cobro de metas, mas mantive-me sempre ocupado em ler algo. Leio muitos livros de não-ficção científica, mas, entre os representantes do gênero, esses foram meus favoritos:

Contato – Carl Sagan
O primeiro livro que li no ano, mesmo me desagradando em seu excesso de assunto e de páginas não deixa de ser excelente. Uma história sensível, que sabe fazer uma boa correlação entre problemas e motivações pessoais e questões que instigam toda a humanidade. O livro aborda dezena de assuntos: política, religião, ciência, humanidade, razão, fé, mas sobretudo, a vontade de saber e a oportunidade aberta ao se fazer contato com povos de outro planeta. Escrevi um pouco sobre essa vontade abordada por Carl Sagan neste post.

A Cidade e a Cidade – China Miéville
Não sabia exatamente o que esperar desse livro, foi meu primeiro contato com o autor. A leitura se tornou, talvez, a mais prazerosa do ano dentro do gênero. O livro relata, de forma extremamente inteligente e criativa, uma distopia que se passa em duas cidades-estado que ocupam – literalmente – o mesmo espaço físico. Mesclando elementos de romance policial noir, ficção científica e suspense, a trama explora questões sociais bastante contemporâneas, sem nunca cair numa militância ou panfletismo. A construção do universo do livro me marcou tanto que escrevi um post falando ele.

A Invenção de Morel – Adolfo Bioy Casares
O livro talvez se enquadre melhor num “realismo fantástico” do que, necessariamente, na ficção científica. Mas tudo que gostamos dentro do gênero está presente neste clássico argentino. Uma ilha onde os visitantes parecem viver num looping eterno, um mistério científico, um protagonista a beira da loucura e muita reflexões filosóficas sobre o ato de viver. Criei, inclusive, uma nova coluna para o site apenas para abrigar um tipo de post motivado pela leitura. Neste post, com muitos spoilers, reflito um pouco sobre as reflexões propostas pelo autor.

A Guerra dos Mundos – H. G. Wells
Um dos maiores clássicos da ficção científica. Um dos primeiros romances a imaginar uma invasão alienígena a nosso planeta e suas consequências. Aterrorizador, sufocante e melancólico, uma das indicações mais fáceis dessa lista. Escrevi neste post como H. G. Wells cria o ambiente de terror neste romance ao objetificar a raça humana.

O Conto da Aia – Margaret Atwood
Talvez o livro de maior destaque do gênero no ano, graças a bem sucedida adaptação televisiva. Um livro sufocante, triste e desesperador sobre uma distopia política conservadora, que trata mulheres como sub-humanos. Leitura essencial para tempos sombrios que se levantam. Escrevi sobre o conceito de dominação masculina através da leitura da obra neste post.

As Crônicas Marcianas – Ray Bradbury
Um livro de crônicas ficcionais ambientadas no recém colonizado planeta marciano. Uma estrutura bastante diferente para livros de ficção científica, numa escrita bastante agradável de se ler. Outra recomendação fácil.

As águas vivas não sabem de si – Aline Valek
Não é uma cota para o “mercado nacional de ficção científica”. “As águas vivas não sabem de si” é um excelente livro do gênero por si só. Um romance submarino que acompanha a jornada – psicológica e física – de uma tripulação confinada muitos quilômetros abaixo da linha do oceano que se depara com a possibilidade de vida inteligente sub-aquática. A jovem autora trabalha muito bem a construção dos personagens e aborda diversos temas, sobretudo a auto-consciência, as interações sociais e o confinamento. Em breve um post sobre o livro na coluna FCbr.
TV/Cinema

Confesso que gasto a maior parte de meu tempo livre lendo. Confesso também que a grande maioria das séries e filmes do gênero, assistidos por mim, não merecem recordações pelos meus critérios. Mas esses últimos anos, em particular, foram bastante frutíferos em produções áudio-visuais, sobretudo nos cinemas, com filmes do gênero concorrendo – e ganhando – aos principais prêmios. Essas são minhas recomendações para a TV e Cinema de 2017:

Mars
Série produzida pela National Geographic e veiculada pela Netflix. A série utiliza uma narrativa bastante incomum e interessante, mesclando um falso documentário que acompanha uma expedição de colonização marciana em 2033 com um documentário real, produzido em 2016. Cada episódio aborda um desafio real para a exploração interplanetária, entrevistando renomados nomes da astronomia americana no presente e encenando algumas das problemáticas que poderiam ocorrer. A trama é interessante, os atores são bons, mas o ritmo, a linguagem técnica e o roteiro pé no chão talvez desagrade quem não gosta de especulações mais científicas.

Missions
Série de ficção científica francesa, indicada para quem acha “Mars” muito pé no chão. A premissa é basicamente a mesma: um grupo de astronautas em uma missão tripulada para Marte. A grande diferença é que, aqui, encontramos um roteiro cheio de mistérios, suspenses e revelações, bem ao estilo “like Lost”, com o diferencial de ser um uma produção francesa que não reproduz os mesmos velhos vícios das séries americanos.

Erased
Produção original da Netflix Japonesa. Erased é uma adaptação de um anime, que por sua vez é uma adaptação de um mangá. Conta a história de Satoru um jovem com a estranha habilidade- ou característica, já que ele não a controla – de ser arrastado no tempo para corrigir algum problema ou acidente ocorrido. Aproveitando de sua particularidade Satoru tenta evitar o assassinato de sua mãe e resolver uma misteriosa sequência de crimes ocorridos em sua infância. O roteiro é bastante leve e sensível -contrastando com a maioria das obras que utilizam o recurso de viagem temporal  – a cenografia da série é muito bem feita e os assuntos tratados bastante relevantes.

Bladde Runner 2049
Talvez o filme que carregava a maior expectativa dentro do gênero. Blade Runner 2049 não decepciona, pelo contrário. Quase todos os elementos e discussões propostas pelo filme original de Ridley Scott voltam e são ampliadas nessa sequência. Apesar de ser um fracasso de bilheteria – assim como o original e como muitos filmes do gênero – Blade Runner 2049 é um dos melhores filmes do ano. Escrevi um pouco sobre o conceito de “humanidade” abordado no filme neste post.

Planeta dos Macacos: A Guerra
Ao sair do cinema estava sem fôlego, Planeta dos Macacos: A guerra foi a maior surpresa que tive no ano. Não que eu deixasse de ter expectativas sobre o filmes, os dois anteriores já foram excelentes. Mas a qualidade do roteiro, dos efeitos especiais e a atenção aos detalhes fazem desse filme o melhor dessa nova trilogia e, para mim, o melhor filme do gênero do ano. Utilizei o exemplo deste filme para falar sobre a relação íntima entre o cinema de ficção científica e os efeitos especiais neste post.

The Toxic Avanger
Ok, ele não é exatamente um filme de ficção científica, mas sim um terror trash dos anos 80 – hoje visto como um filme cult – com elementos de ficção científica. Um faxineiro socialmente desajustado de um clube de natação, humilhado por jovens babacas que lá frequentam, cai em lixo tóxico e se transforma numa espécie de super-herói. The Toxic Avanger tem tudo que gostamos de um filme trash: personagens insuportavelmente estereotipados, roteiro que não respeita uma lógica do mundo real, cenas gores e efeitos especiais práticos bastante eficientes. Além de ter uma boa carga de crítica social foda.

Evitei de colocar na lista alguns exemplos muitos óbvios, já que não acho necessário recomendar Star Wars ou Strang Things, outras ausências se devem simplesmente a minha procrastinação falta de tempo em assistir como Black Mirror ou ao meu esquecimento.

Mas e para vocês? Quais as melhores obras de ficção científica tiveram contato em 2017? Quais suas recomendações?