Recomendações de 2018

      Nenhum comentário em Recomendações de 2018

Dois é um número pequeno para se dizer que é uma “tradição”, mas seguindo o exemplo do ano passado, inicio o ano de 2019 com uma recomendação dos melhores conteúdos consumidos por mim ao longo de 2018. Lembrando que aparecem aqui na lista os filmes, livros e jogos consumidos por mim este ano e não necessariamente lançados no mesmo.

Livros:

O outro lado do céu – Arthur C. Clarke

Talvez o livro não escape do vício comum das coletâneas de conto: a inconstância da qualidade entre eles. Mas “O outro lado do céu” apresenta contos tão bons que a soma do livro é, em muito, positiva. Contos como “Os nove trilhões de nomes de Deus” e “A estrela” não apenas são ótimos contos de ficção científica como permitem profundas reflexões sobre religião e o sentido da vida.

Piquenique na estrada – Arkádi & Boris Strugátski

Triste, desolador, desesperançoso, porém incrivelmente bem escrito e reflexivo. “Piquenique na estrada” foi um dos melhores livros lidos do ano, me oferecendo a oportunidade de fazer o texto que me foi mais divertido de se escrever. É preocupante quando você acha divertido escrever sobre melancolia e pessimismo? . A humanidade se encontra em profunda depressão após constatar sua insignificância perante seres alienígenas que pouco, ou nada, se importam com nossa existência. A partir desse cenário os irmãos Strugátski nos convidam a refletir sobre nossa própria sociedade.

Solaris – Stanislaw Lem

Meu primeiro contato com o autor, o melhor livro do gênero lido no ano. Uma escrita densa e por vezes complexa, o autor chega até mesmo a criar todo um ramo cientifico ficcional, em certos momentos o livro parece mais uma ciência ficcional do que uma ficção científica. O livro retrata todo o desespero de cientistas que não conseguem controlar seu objeto de estudo: um suposto planeta vivo. A leitura rendeu esse texto no blog.

Caixa de Pássaros – Josh Malerman

Um best seller mundial e uma adaptação de surpreendente sucesso pela Netflix. “Caixa de Pássaros” é um livro bastante tenso sobre um futuro pós-apocalíptico onde seres – extraterrestres talvez? – invadem a terra e forçam os humanos a cometerem suicídio ao serem vistos. A tensão do livro é criada sobretudo pela supressão de informações e de descrições do ambiente no momento em que os personagens se encontram vendados. O romance dosa as informações como uma quebra-cabeça, sendo formado aos poucos até a conclusão da obra. Posteriormente farei um texto sobre sua adaptação para as TVs.

As Sereias de Titã – Kurt Vonnegut

Meu primeiro contato com o autor. “As sereis de Titã” é um livro divertido, com ótimos diálogos, um humor que se assemelha, sem certos momentos, a Douglas Adams e ainda funciona quase como uma sátira a todo pensamento egoísta da humanidade. O livro acompanha a viagem de Malachi Constant num universo regido e prevido por um excêntrico viajante do tempo. Em breve um texto no blog sobre o livro.

O rosto de um outro – Kobo Abe

Um cientista que “perde” seu rosto produz artificialmente uma nova cara. Á partir disso a obra explora diversas questões ligadas a identidade, à essência e ao comportamento humano. “O rosto de um outro” é uma importante e  incrível obra da literatura japonesa, com uma escrita quase experimental e um contexto de produção bastante diferente da maioria dos livros trazidos aqui, é uma sugestão para quem procura variar um pouco dentro do gênero. Escrevi um pouco sobre o livro neste post.

TV/Cinema

O primeiro homem 

Cotato para o Oscar o filme é uma biografia de Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na lua. Apesar de ser um drama, em tese, o filme retrata bem todo aspecto científico que o ofício de Niel requeria, as cenas dentro das naves e dos treinamentos são incríveis. Não sei como é a sensação de se estar num foguete, mas o filme me convenceu como deveria me sentir.

Aniquilação

Produção original da Netflix, baseada no romance de Jeff Vandermeer, o filme retrata uma equipe de mulheres enviada à uma área isolada onde ocorrem fenômenos incompreensíveis para a ciência moderna. O filme me decepcionou um pouco enquanto ficção científica, mas a recomendação ainda é válida pelas ótimas cenas de suspenso e um terror bem desenvolvido.

Um Lugar Silêncioso

Um futuro tomado por monstros que atacam ao ouvirem qualquer tipo de som. O filme é espetacular, o roteiro muito competente, assim como os atores e a construção das cenas. Os últimos anos estão sendo bastante generosos com os fãs de filmes de terror/horror.

Homem Aranha: No Aranhaverso

Há tempos me desanimei com filmes de heróis, tanto que quase nunca os cito aqui – até mesmo porque muitos se distanciam da ficção especulativa. Mas Homem Aranha: No Aranhaverso não é apenas um dos melhores filmes do gênero, como uma das melhores animações que já vi. O filme explora bem o multiverso do homem aranha, com viagem entre linhas temporais, apresenta uma excelente escolha de trilha sonora, piadas que realmente funcionam e não estão apelas lá jogadas, e todo uma construção só possível por ser uma animação. Assistam!

Final Space

A série de animação talvez não tenha nada de realmente original, emprestando alguns conceitos daqui, outros dali. Mas é eficiente em tudo que faz, o aparente roteiro simples se aprofunda ao passar dos episódios, um recomendação fácil.

Jogos

Ao contrário do ano passado, resolvi listar alguns dos melhores jogos que tive contato ao longo do ano dentro desta temática.

No Man’s Sky

No Man’s Sky

Com um lançamento polêmico, No Man’s Sky oferecia nada, ou quase nada, do que prometia. Em partes culpa da produção do jogo, que foi acelerada, parte em culpa do marketing, que vendeu um jogo que simplesmente não existia. No Man’s Sky é um jogo de sobrevivência espacial, não é um thriller de space opera ou uma ação intergalática como Destiny. É um jogo sobre construir sua própria história, visitar os planetas a procura de recursos, fazer sua base, catalogar alienígfenas e descobrir alguns mistérios. As recentes atualizações tornaram o jogo bem mais interessante e completo. Não é um jogo para todos, mas certamente agraciará os fãs de ficção científica, como eu.

The Last of US

Ok, estou jogando o título atrasado. Não existe muito o que se dizer que já não tenha sido dito… A excelente narrativa, a ótima ambientação apocalíptica, o eficaz sistema de combate propositalmente “travado” para criar certa taticidade. É tudo verdade.

Ratchet & Clank

Uma espécie de “Star Wars” light. Assim como seus antecessores da série, o foco se encontra nas armas criativas, como uma capaz de pixelar o inimigo, outra de o transformar numa ovelha e, posteriormente, criar um efeito paradoxical ao tentar transformar a ovelha em ovelha. O jogo é um alívio de simplicidade em meio a um mercado onde isso é cada vez mais escasso…