O imortal: o conto de ficção científica de Machado de Assis.

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No dia 21 de junho do ano de  1839, na cidade do Rio de Janeiro, nascia aquele que seria conhecido como um dos maiores – se não o maior – escritor brasileiro de todos os tempos. Aclamado pela crítica mundial e odiado por vestibulandos, Machado de Assis é um dos mais importantes e expoentes nomes da literatura brasileira. Sua escrita original, provocativa, inovadora, crítica e por vezes irônica, já antecipava algumas características posteriormente utilizadas pelo movimento modernista. Antecipou também, em seus romances, poemas, contos e crônicas, temáticas emergentes da sociedade moderna.  Para comemorar seu 178º aniversário lembrado pelo doodle do google falaremos aqui de um conto com um tema até então pouco explorado, tanto pela literatura internacional quanto pela literatura brasileira, a ficção cientificamente especulativa em sua obra “O imortal”.

Um conto de ficção científica nacional

“O imortal” é um conto escrito em 1882, apenas alguns anos após os lançamentos dos mais importantes livros de Julio Verne na França. Momento em que a ficção científica dava seus primeiros passos enquanto um campo literário próprio. Se as características literárias dos romances de Julio Verne, e da ficção científica em si, estavam ausentes do conto de Machado, a temática especulativa e o interesse científico estavam presentes.

O conto relata a conversa entre o médico homeopata Dr. Leão e seus dois colegas. Durante a conversa o médico jura que seu pai havia sido um imortal, que viveu mais de 250 anos. Ao constatar a incredulidade de seus ouvintes, passa a relatar a história de seu progenitor. Seu pai Rui de Leão, adquiriu o poder da imortalidade ao consumir uma misteriosa substância líquida deixada como testamento por um líder indígena à ele. O conto segue, deste modo, a longa vida de Rui de Leão: sua extensa lista de amantes, seus postos políticos -inclusive rei- as tentativas de suicídio e execução, sua participação em momentos históricos brasileiros e europeus.

Além da especulação de “como seria alguém imortal” o conto também explora o elixir sob uma ótica científica. Desde o princípio o elixir da imortalidade é tratada como substância química, onde seus efeitos seriam ainda desconhecidos pela ciência moderna. Apesar de justificar a existência do elixir através da homeopatia,hoje dita como pseudo-científica, é importante compreender o visionarismo de Machado de Assis ao utilizar princípios compreendidos como novidade científica em sua época, extrapolando seus limites e especulando suas possibilidades. A homeopatia desembarcou no Brasil apenas na década de 1840, com a promessa de uma revolucionária nova área da medicina, servindo como inspiração à especulação científica de Machado assim como, talvez, os macabros experimentos de Galvani serviram à Mary Shelley.

Quem desconhecia o conto deve estar se perguntando “como um homem imortal acabou morrendo?” a resposta encontra-se no fim do conto que, felizmente, é acessível á todos, já que toda obra do autor encontra-se em domínio público. Então não perca tempo, se livre de possíveis preconceitos trazidos do ensino médio, clique aqui e leia o curioso e vanguardista conto de ficção científica de Machado de Assis.